quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

devoção fingida ou e deus criou a mulher?



devoção fingida ou e deus criou a mulher?

ele diz, tragando um cigarro, sem noção do perigo, chega de firulas, diga logo que queres foder com a minha vida!

ela, entre nuvens de fumaça, espero não ter de revestir as paredes de meu quarto depois que te fores embora!

ele, engasgado, se acaso fores embora, levanta antes a âncora que prendeste em meu desejo... desata-me desta camisa de força! me dá um punhado de sertralina!

ela, aliviada, vou pro caribe virar pintora cubista, pois esta história de cubo mágico me deixou sequelada!

ele, no último trago, mesmo (!), prefiro estar sem roupas a desencontrar minha outra pele, de asno?

(rodrigomaroja barata Nov/2010)

sábado, 20 de novembro de 2010

haicai de longe, muito longe




tuas alvas mãos
adulam grisalhas nuvens;
chove sobre nós!

(rodrigomarojabarata nov/2010)

haicai da chuva amante




ao norte de nós,
caminham chuvas esparsas
em direção ao sul

(rodrigomarojabarata nov/2010)

domingo, 17 de outubro de 2010

koop: contemporary scandinavian music


descobri, através de meu amigo e ilustrador, este incrível duo de jazz eletrônico e samples, formado por Magnus Zingmark e Oscar Simonsson, que são suecos, e o cd Koop Islands (2006), com participação dos músicos Yukimi Nagano, Ane Brun, Rob Gallagher e Mikael Sundin fala por si só, ouçam no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=qTTGX27fsA4&has_verified=1

Valeu, joão augusto! é inspirador...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

cinema e os duendes da morte



fiquei em estado de transe, o tempo estava lento e uma névoa pediu abrigo em minha alma. estes foram alguns dos sentimentos suicidas e delirantes que nutri ao ver "Os Famosos e os Duendes da Morte" (2009),de esmir filho. não sou muito de rasgar sedas por um filme. mas o silêncio e as frias paisagens me remeterema um estado de suspensão, de encantamento, onírico, etílico, marijuânico. já estou novamente pregando loas... o filme é uma espécie de manifesto dos tediosos e suicidas, não de párias, colonos riograndenses do sul, numa masmorra sem muros, numa desesperança sem par. filme que leva a crer no isolamento íntimo de seres os quais vivem áridas experiências e nuas passagens pela vida.



esmir filho tece uma narrativa quase sinestésica, gusvansântica (vide o enamoramento e enlevante atmosfera teen fortemente pautada e pontuada ao longo da película), um pouco amniótica, um tanto psicotrópica, com as imagens oníricas que o moleque protagonista tem da menina suicida e com a própria imagem do moleque, de rara beleza e sensualidade. a ponte é um dos sets mais incômodos que vi no cinema nos últimos tempos. ela é fantasmagórica e ao mesmo tempo um memorial aos sem vez, aos que se desnudam frente aos hipócritas. filme importante, urgente, simples, porém impiedoso e na contra-mão dos blockbusters espiritualistas e chatos que estão estourando as bilheterias nacionais. elenco afinado, trilha deliciosa e nostálgica, roteiro sensível. um filme de beleza imensa...

(rodrigo maroja barata - out/2010)

sábado, 4 de setembro de 2010

filmes gueis

retorno aos posts. fiquei à mercê de projetos outros, mas recentes filmes de temática homoerótica a que assisti, em julho e agosto, me fizeram pensar em como o tema vem sendo abordado pela sétima.
o primeiro que vi foi um filme tolo, talvez uma das tolices mais inócuas e inermes já produzidas. jovens pseudo-surfistas e pseudo-heróis numa pseudo-califórnia quente, tediosa e sem violência se entregam à lascívia do amor guei. lindos rapazes, corpos sarados, roteiro vazio. primeiro amor em filme guei é conto de phadas. trata-se de "Shelter" (2007), de Jonah Markowitz. os problemaços de alcoolismo do pai, da sassaricagem e irresponsabilidade da irmã dão ao protagonista ares de héracles moderno. pena não ter substância e nem de longe parecer um clássico do gênero. filme bonitinho, para um publicozinho recém guei, tudo inho, para uma tardezinha de um diazinho qualquer.


daí vi o brasileiro e com pinta de polêmico (nossa! aborda o insesto! e guei!!!!!). é necessário e urgente assistir a um filme tão polêmico, "Do começo ao fim" (2009), de Aluízio Abranches, pô, o cara tinha feito "Um copo de Cólera" (1999) e "Três Marias" (2002), filmes que pelo menos vão até onde este recente promete, do começo ao fim. o filme guei e insestuoso do abranches não vai a lugar nenhum: é insípido, inodoro, por vezes incolor e totalmente ausente de conflito, ou de desenvolvimento do conflito suscitado, narrativa linear, interpretações metidas à besta, com pose de estamos discutindo algo sério, para nada, literalmente nada. pergunto-me somente uma coisa: só existem gueis lindos no mundo do cinema? pois é a única atração, belos rapazes se contorcendo e revolvendo suas partes para dar em parte alguma. outro desperdício de fotogramas...


aí, sim, vi um filme guei à altura dos grandes filmes heteros, trans, pãs, trhillers... "A Single Man" (2009), de Tom Ford, com Collin Firth (este um imenso ator) e Jullianne Moore (esta, uma p...atriz). filme conciso, preciso, discreto, charmoso, elegantérrimo como todo guei o é ou deveria ser. baseado em Christopher Isherwood, escritor inglês, naturalizado norte-americano que escreveu obras clássicas sobre Berlim (país que o atraiu por sua libidinagem e liberdade sexual), e que extraído de obra sua, já temos o belo "Cabaret" (1972), de Bob Fosse. "Direito de Amar", título totalmente incorreto, nada criativo e, por vezes, cruel para com o filme, ou melhor, "A Single Man" é um real filme guei, com sentimentos verídicos, interpretações viscerais, tomadas de câmera surpreendentes, belíssimas fotografia e direção de arte, enfim, um guei que dá vontade de escrever posts. Collin Firth, ator britânico dá uma dignidade ímpar ao protagonista, um desespero, uma angústia, uma solidão e uma autodestruição primorosamente interpretadas. o filme é limpo, mas no fundo é punk, um soco no estômago e não tem gueis lindos só para se desculpar...


estou com outro filme guei para assistir: "Die Konsequenz" (1977), de, pasmem! Wolfgang Petersen. promete ser o primeiro filme alemão realmente guei e ainda com um relacionamento entre homens de idades bem diferentes, também um precursor da chutada no balde (maravilhosa!) dada por Fassbinder logo depois. espero ver e senti-lo. este talvez seja para ser levado mais a sério!

(rodrigo maroja barata - set/2010)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lista dos 10 melhores Sandmovies:


Além dos Filmes já listados em post anterior, aqui está a prometida lista dos 10 melhores Sandmovies de todos os tempos.

1. Paris-Texas (1984), de Win Wenders, é o melhor dos filmes areentos. Uma experiência visual, pictórica, árida, de um homem em contínua busca, numa fuga pelos desertos texanos. Fuga para esquecer de si e encontrar-se antiteticamente. Culminando numa das sequências mais brilhantes, protagonizadas por uma belíssima Nastasja Kinski. Imperdível!



2. Lawrence Os Arabia (1962), de David Lean, vaseado na obra de T. H. Lawrence, "Os Sete Pilares da Sabedoria". è a autobiografia do escritor durante a 1ª Guerra Mundial. Explora a excentricidade e o dandismo do protagonista. Peter O'Toole está magistral!



3. Thelma & Louise (1991), de Ridley Scott. Susan Sarandon e Geena Davis estão magníficas nesta saga de duas mulheres descontentes com suas vidas que se tornam criminosas perseguidas pela polícia norte-americana. Final de arrepiar!



4. Mad Max (1979), de George Miller. Filme apocalíptico, estrelado por um iniciante Mel Gibson. O deserto australiano vive dias de completo caos com guangues disputando poder e aterrorizando por um pouco de combustível. Aventuraça!



5. Il Deserto dei Tartari (1979), de Valerio Zurlini. Baseado em obra de Dino Buzatti. No deserto, um grupo de soldados, em um forte, espera o inimigo que nunca chega. Questões pessoais afloram enquanto esperam...



6. Babel (2006), de Alejandro González Iñárritu. Histórias secas, áridas, desérticas entrecruzam-se num caleidoscópio de desesperança e solidão. Sandmovie de primeira. Reparem na cena do casamento ao som de um triste e belo bolero...



7. Hatari (1962), de Howard Hawks. Com locações na Tanzânia, narra a história de um grupo de caçadores que se encontra anualmente num período de três meses em que a caça é autorizada, a fim de abastecer zoológicos do mundo todo. Politicamente incorretíssimo, mas uma brilhante comédia de aventura, estrelada por John Wayne, ao som da imortalizada canção de Henry Mancini "Baby Elephant Walk".



8. Once Upon a Time in West (1968), de Sergio Leone. Obra prima do Western spaghetti. Trilha de Ennio Morriconi. Épico incomparável.



9. Bye, bye, Brasil (1979), de Cacá Diegues. Artistas ambulantes cruzam o país na Caravana Rolidai, mambenmando para pobres e nos lugares mais inóspitos do Brasil. Filme máximo, obra prima da cinematografia nacional.



10. Duna (1984), de David Lynch. Duna é um romance de ficção científica escrito por Frank Herbert e publicado em 1965. Com trilha de Iron Maiden, narra uma história que mistura ficção-científica e um império feudal em expansão. Sandmovie e Sci-Fi.